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O Tarot da Jornada ao Oriente não é um baralho de precisão histórica, nem pretende sê-lo. Como as narrativas de Marco Polo, é menos relato do que metáfora; menos mapa do que sonho. Cada carta é uma janela para dois mundos — o Oriente e o Ocidente — que se olham, como espelhos que nunca coincidem e, por isso mesmo, se enriquecem.

Nos Arcanos Maiores há um sabor de fábula. As figuras parecem pertencer a um imaginário distante, como descrições de terras nunca vistas. Em algumas cartas, duas culturas partilham a mesma cena; noutras, é o encontro de rostos, o diálogo de diferenças. O resultado é um baralho que, mais do que representar, evoca. Não nos fala apenas do que mostra, mas daquilo que sugere.

É verdade que algumas imagens nos deixam a sensação de disfarce — como se o Louco, o Mago ou a Sacerdotisa fossem atores ocidentais pintados de Oriente. Mas, à medida que avançamos, percebemos que esse estranhamento é também parte da viagem. Pois o encontro entre culturas nunca é perfeito, nunca é “puro”: é sempre mistura, tentativa, aproximação. E nisto está a sua beleza.

Os Arcanos Menores são mais próximos, mais concretos. Mostram cenas que poderiam ter acontecido, gestos humanos que sobrevivem às diferenças de trajes ou de costumes. E, no entanto, mesmo no mais simples, há sempre a sensação de um eco longínquo, como quem olha para a realidade e vê nela a distância de uma lembrança.

No fundo, este Tarot é como a própria jornada de Marco Polo: uma narrativa que oscila entre o vivido e o imaginado, entre o encontro e a projeção. Um Tarot que não é apenas cartas para jogar ou consultar, mas uma metáfora da viagem interior: porque todo o Oriente que buscamos no mundo é também um Ocidente dentro de nós.